Garantia Bancária para Visto de Turismo: o que diz o texto da garantia?

A garantia bancária para visto de turismo é um documento oficial indispensável para quem deseja receber um cidadão estrangeiro na Itália. Não se trata de uma mera formalidade: 

é uma garantia econômica exigida por lei (Diretiva do Ministério do Interior de 1/3/2000) que serve para demonstrar à Embaixada que o visitante possui os recursos financeiros necessários para se manter na Itália sem onerar o Estado. 

Entender o que está escrito no texto da garantia é fundamental: um erro nas cláusulas ou no valor pode causar a recusa imediata do Visto.

O QUE É A GARANTIA BANCÁRIA PARA VISTO DE TURISMO

Imagine que você convida um amigo para jantar. Se ele esquecer a carteira, você garante por ele e paga a conta. A garantia bancária para visto de turismo funciona exatamente da mesma forma, mas em uma escala maior e com regras precisas.

É um contrato pelo qual uma pessoa que vive na Itália (chamada de “Contratante” ou “Fiador”) se compromete a garantir economicamente por um cidadão estrangeiro (chamado de “Beneficiário”) que deseja vir à Itália a turismo.

Para que serve exatamente?

O Estado Italiano quer ter certeza de uma coisa: que a pessoa que entra na Itália tenha condições de se alimentar, hospedar e viajar. Se o estrangeiro não dispõe desses recursos, a Embaixada não concede o visto. A Garantia Bancária é a comprovação de que o cidadão estrangeiro na Itália possui os meios necessários para se manter no país.

Quem deve solicitá-la?

Não é o estrangeiro que mora no exterior quem a solicita. Deve ser requerida por quem o convida à Itália. Pode fazê-la:

  • Um cidadão italiano.
  • Um cidadão estrangeiro que vive na Itália com uma permissão de residência regular.

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O QUE DEVE CONTER O TEXTO DA GARANTIA

O texto da garantia bancária não é livre. 

Deve seguir regras precisas estabelecidas por lei. Se alguma parte estiver faltando, o documento não tem validade. Analisamos as partes técnicas do contrato com base nos documentos oficiais.

1. As Referências Legais (O Preâmbulo)

O texto deve começar citando as leis corretas. Não basta dizer “garanto por ele”. O contrato deve citar expressamente:

2. Quem são os envolvidos

O texto deve identificar claramente três figuras:

  • O Contratante: Quem faz o convite. Devem constar nome, sobrenome, código fiscal (codice fiscale) e endereço.
  • O Beneficiário (Sujeito Garantido): O estrangeiro que chegará. É necessário registrar nome, sobrenome, data de nascimento, nacionalidade e, principalmente, o número do passaporte.
  • O Fiador: O Banco ou a Financeira que assina o documento e possui a autorização do Banco da Itália (Banca d’Italia).

3. O Objeto da Garantia

Esta é a parte central. O texto deve declarar que a sociedade garante ao Beneficiário o pagamento das quantias necessárias para seu sustento na Itália, até um valor máximo estabelecido. Na prática, fica registrado que, caso o Contratante não arque com as despesas do hóspede, a garantia bancária entrará em ação.

4. A Vigência (Atenção aqui!)

No texto há duas datas distintas e é preciso não confundi-las:

  • Vigência da garantia: É o período em que o contrato é válido (geralmente 6 meses).
  • Duração da estadia: É o período efetivo em que o hóspede permanecerá na Itália (máximo de 90 dias para turismo).

O texto deve especificar que a cobertura é válida pelos dias de permanência efetiva (ex.: 90 dias) a partir do momento em que o estrangeiro entra na Itália.

POR QUE O TEXTO É TÃO IMPORTANTE

Não é possível escrever uma carta à mão em uma folha de papel. O Consulado ou a Embaixada verificam cada detalhe.

  • Verificação da Redação: Os funcionários consulares sabem que a lei exige referências específicas (como a Diretiva de 2000). Se o texto da sua garantia não citar essas leis, eles consideram o documento falso ou sem validade.
  • O Risco de Recusa: Se o texto não garantir claramente os meios de subsistência, o Visto é negado com a justificativa: “não dispõe de meios de subsistência suficientes”.
  • Diferença entre conforme e genérico: Um texto genérico diz “garanto pelo meu amigo”. Um texto conforme diz “Constituo-me fiador nos termos do art. 4 do T.U. 286/98 pelo valor previsto na Tabela A”. Apenas o segundo é aceito.

VALOR DA GARANTIA: COMO É CALCULADO

Você não pode escolher livremente o valor a ser escrito no texto. O montante é estabelecido por lei de acordo com o tempo que o hóspede permanecerá na Itália. A tabela de referência é a do Ministério do Interior.

Veja como é calculado (valores indicativos baseados na diretiva):

  1. De 1 a 5 dias: É necessária uma cota fixa de 269,60 euros no total.
  2. De 6 a 10 dias: São necessários 44,93 euros por cada dia.
  3. De 11 a 20 dias: É necessária uma cota fixa de 51,64 euros + 36,67 euros por cada dia.
  4. Acima de 20 dias: É necessária uma cota fixa de 206,58 euros + 27,89 euros por cada dia.

Exemplo Prático para 90 dias (o caso clássico): Para um visto de turismo padrão de 3 meses (90 dias), o valor geralmente utilizado é de aproximadamente 3.905 euros. Este é o número que deve aparecer no texto da garantia para ficar tranquilo.

ERROS COMUNS NO TEXTO DA GARANTIA BANCÁRIA

Mesmo que você pague, se o texto estiver errado, o Visto não será concedido. Veja os erros mais frequentes:

  • Valor Incorreto: Registrar um valor inferior ao exigido pela tabela ministerial. Se o hóspede fica 90 dias, mas você garante apenas 1.000 euros, o visto é negado.
  • Vigência inconsistente: A garantia deve cobrir todo o período. Se o convite é para 90 dias, a garantia não pode ter validade de 30 dias.
  • Ausência de dados do beneficiário: Alguns contratos exigem a assinatura ou os dados precisos do passaporte. Se o número do passaporte estiver incorreto no texto, o documento não é válido.
  • Confusão entre Garantia Bancária e Seguro de Saúde: São duas coisas diferentes! A garantia bancária assegura os recursos financeiros para o sustento. O seguro de saúde cobre as despesas médicas (30.000 euros). São necessários ambos, não apenas um.

COMO OBTER UMA GARANTIA BANCÁRIA COM TEXTO CONFORME

Para não errar no texto, a melhor solução é recorrer a empresas especializadas que utilizam modelos já aprovados pelas Embaixadas.

  1. Prepare os documentos: Você precisará dos seus documentos pessoais (documento de identidade, código fiscal), do comprovante de renda (contracheque ou declaração de imposto de renda) e da cópia do passaporte do hóspede.
  2. Escolha a instituição: Você pode ir ao banco (se quiser bloquear os recursos) ou recorrer a um intermediário de seguros especializado (para pagar apenas o prêmio, sem imobilizar capital).
  3. Recebimento rápido: Muitos serviços online permitem receber o documento assinado digitalmente por e-mail em 24 a 48 horas.
  4. Assinatura digital: Os documentos modernos chegam com assinatura digital, prontos para serem impressos e levados ao Consulado.

Nós da vistoperitalia.it trabalhamos há anos com a Finanziaria Romana Spa, sociedade autorizada pelo Banco da Itália (Banca d’Italia) para emissão de garantias bancárias e cauções ao público.

PERGUNTAS FREQUENTES (FAQ)

A garantia tem geralmente validade de 6 meses ou 1 ano a partir da data de emissão, mas cobre efetivamente o período de estadia do convidado (ex.: máximo de 90 dias) dentro desse intervalo de tempo.

É uma expressão técnica presente no contrato. Significa que, caso haja uma dívida, o credor deve primeiro tentar cobrar o dinheiro de quem fez o convite (o Contratante). Somente se ele não pagar, a Fidejussão (garantia bancária/fiança) entra em ação.

Não. O prêmio pago pela fidejussão (no caso de seguradoras/financeiras) não é reembolsado, pois o serviço de emissão foi prestado independentemente da decisão da Embaixada.

Sim, se a fidejussão tiver validade de 6 meses ou 1 ano e prever entradas múltiplas, você pode usá-la para entrar e sair várias vezes, desde que não ultrapasse o total de dias garantidos (ex.: 90 dias no total).

Não. São dois documentos separados. A fidejussão garante os meios de subsistência. O seguro de saúde deve garantir 30.000 euros para despesas médicas de urgência. Você precisa providenciar ambos.

O custo varia, mas em nosso site vistoperitalia.it custa 110,00 Euros por 30 dias.

Se o Contratante não tiver renda comprovável, uma terceira pessoa pode atuar como “Avalista” (fiador) (familiar ou amigo com renda) que assina os documentos para apoiar o pedido.

Não. O decreto flussi (decreto de fluxos migratórios) é direcionado especificamente a trabalhadores não comunitários, ou seja, cidadãos de países fora da União Europeia. Os cidadãos europeus já têm liberdade de circulação e trabalho dentro da UE.

As Embaixadas exigem documentos assinados digitalmente. Muitas agências enviam o arquivo com assinatura digital, que tem validade jurídica e pode ser impresso.

Não. A fidejussão para o convite deve ser contratada na Itália por quem convida (o cidadão italiano ou residente) junto a um ente autorizado a operar na Itália.

Sim. Também para o visto de estudos é necessário comprovar os meios de subsistência. O texto e o valor mudam ligeiramente (validade geralmente de 12 meses para o ano letivo).

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O que fazer se o visto de turismo for recusado? Gestão da Fidejussão e Nova Solicitação

Receber um “Não” da Embaixada ou do Consulado é um momento difícil. Você preparou os documentos, pagou a fidejussão, esperou e, mesmo assim, o Visto de Turismo foi recusado. Além da decepção, surge imediatamente um problema prático e financeiro: o que acontece com o dinheiro da fidejussão bancária ou securitária que você já contratou?

Este guia explica exatamente o que acontece com a sua garantia financeira em caso de indeferimento e como agir para não perder todo o seu investimento, com base nas normas e nos contratos padrão utilizados pelas instituições financeiras.

O PRIMEIRO PASSO: ENTENDER POR QUE FOI RECUSADO

Antes de se preocupar com o dinheiro, é preciso ler o motivo da recusa. Mesmo tendo apresentado a fidejussão, o visto pode ser negado. 

As fontes indicam que o motivo mais frequente, mesmo havendo garantias econômicas, é o risco migratório.

O caso do emprego inexistente: Se o convidado não tiver um emprego estável em seu país de origem (ex.: Tunísia), o Consulado pode recusar o visto com a justificativa: “não há certeza de que retornará após o vencimento do visto”.

Meios insuficientes: Por vezes, a recusa ocorre porque, apesar da fidejussão, não foram comprovados outros requisitos ou a documentação estava incompleta.

Uma vez recebida a notificação de recusa (o provvedimento ufficiale, ato administrativo oficial), você deve agir imediatamente para gerir a fidejussão.

O QUE ACONTECE COM A FIDEJUSSÃO?

Se você contratou uma apólice com uma sociedade financeira ou securitária pagando um prêmio (ex.: 110 ou 135 euros) sem bloquear dinheiro em conta, a situação é diferente.

Há previsão de reembolso do prêmio pago?

Geralmente NÃO. As condições contratuais são claras: “em caso de não concessão do visto NÃO haverá […] qualquer reembolso dos custos incorridos”. O motivo é técnico: a agência prestou o seu serviço (emitir a garantia e assumir o risco). O fato de a Embaixada dizer não é uma decisão que não depende da seguradora.

A “Cláusula de Salvaguarda”: Desconto de 50%

Contudo, analisando contratos específicos (como o da Finanziaria Romana citado nas fontes), existe uma saída para quem deseja tentar novamente. 

O Artigo 6 de alguns contratos prevê a faculdade de solicitar a emissão de um novo ato de fidejussão em condições facilitadas caso o primeiro visto tenha sido negado.

Como funciona o benefício:

Custo: Você paga apenas 50% do preço inicial pela nova apólice.

Prazo: A solicitação deve ser feita dentro de 30 dias a partir da data de início de vigência da primeira apólice.

Documentos: Você deve enviar o formulário oficial de recusa (a folha de negação) emitido pela Embaixada ou Consulado.

Condição: O formulário de recusa deve ser enviado dentro de 15 dias a partir da data em que foi emitido.

POSSO REUTILIZAR A GARANTIA BANCÁRIA ANTIGA?

Muitos usuários perguntam: “Tenho uma garantia bancária (fiança/garantia bancária) já emitida, o visto foi recusado ou venceu, posso usá-la para uma nova solicitação?”

A resposta das fontes é NÃO.

• A apólice perde sua eficácia ao vencer ou se a entrada não ocorrer nos prazos previstos.

• Não é possível “reciclar” o documento físico ou digital antigo para um novo processo que terá datas de viagem diferentes. É necessário contratar uma nova (aproveitando eventualmente o desconto de 50%, se previsto no contrato).

CHECKLIST: O QUE FAZER IMEDIATAMENTE APÓS A RECUSA

Se o visto foi negado, siga este procedimento passo a passo com base nas diretrizes contratuais:

1. Obtenha o Formulário de Recusa: Solicite imediatamente ao convidado o scan legível do documento oficial de negação emitido pelo Consulado. Deve constar a data e a assinatura.

2. Verifique a Data: Confira a data da recusa. Você tem prazos curtos (frequentemente 15 ou 30 dias) para acionar as cláusulas de benefício.

3. Contate a Agência/Financeira: Envie uma carta registrada ou uma PEC (conforme indicado no Art. 7 dos contratos) com o formulário de recusa para verificar a possibilidade de emitir uma nova apólice a custo reduzido.

4. Se quiser tentar novamente: Caso pretenda apresentar uma nova solicitação, lembre-se de que precisará alterar as datas. A nova garantia bancária deverá cobrir o novo período de viagem solicitado.

5. Se não quiser tentar novamente (Banco): Caso tenha uma garantia bancária, arme-se de paciência. Os valores retornarão à conta somente após o transcurso do prazo técnico de validade da garantia (frequentemente 6 meses + 180 dias de segurança).

ERROS A NÃO REPETIR NA NOVA SOLICITAÇÃO

Se decidir refazer a solicitação e a nova garantia bancária, certifique-se de não cometer os erros que podem ter causado o problema, verificando a conformidade com a Diretiva de 1° de Março de 2000 (Diretiva 1° Marzo 2000).

Valor Correto: Verifique se o valor garantido cobre exatamente os dias solicitados.

    ◦ 1-5 dias: 269,60 euros (valor fixo)

    ◦ 6-10 dias: 44,93 euros por dia

    ◦ 11-20 dias: 51,64 euros (fixo) + 36,67 euros por dia

    ◦ Acima de 20 dias: 206,58 euros (fixo) + 27,89 euros por dia.

Duração Coerente: Se você solicitar 90 dias, a garantia bancária deve cobrir 90 dias. Lembre-se de que a duração máxima para turismo é de 90 dias.

FAQ – PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE A RECUSA

Não, os contratos especificam que não há reembolso porque o serviço de emissão foi prestado e o risco foi assumido. O resultado do visto é uma decisão discricionária da Embaixada.

As fontes indicam que é possível realizar uma nova solicitação de visto se as condições mudarem ou forem esclarecidas, mas não detalham os procedimentos legais de recurso (TAR/Tribunais) além da possibilidade de reapresentar a solicitação com nova documentação.

A garantia bancária tem geralmente uma validade de 6 meses. Se não for executada (ou seja, se o Estado não solicitar os valores), o depósito bancário é liberado após um período de segurança que pode chegar ao dobro da duração da garantia.

Você deve enviar o “formulário oficial de recusa” datado e assinado pelo Órgão competente (Consulado/Embaixada) dentro de 15 dias da sua emissão, juntamente com a solicitação de emissão do novo documento.

Não, o seguro saúde cobre despesas médicas durante a estadia. Se a estadia não ocorrer, a apólice não é necessária, mas também neste caso o reembolso do prêmio depende das cláusulas específicas da seguradora (frequentemente não reembolsável, assim como a garantia bancária).

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